quarta-feira, 15 de junho de 2016

O ódio que anda por aí

AVISO: ao terminar o texto, eu notei que ele saiu totalmente diferente do que eu tinha imaginado. 
Eu realmente queria ter escrito de forma a manter um tom leve e otimista, e não falar muito profundamente sobre tudo que falei. Mas foi assim que minha postagem saiu e, por respeito a tudo que saiu, pois creio que era o que eu precisava falar, essa postagem saiu assim sem grandes revisões. De qualquer forma, peço desculpas por não ter conseguido abordar o tema de forma leve.


Olá, pessoas!

Então, papo um pouquinho diferente aqui hoje, suponho.

Eu no geral nunca me remeti muito a coisas além do meu micro-universo, creio: comida que fiz, foto que tirei, passeios dados... Mas neste meu tempo distante do blog eu acabei me envolvendo cada vez mais em debates sobre minorias sociais. E, além disso, creio que na época em que eu era mais ativa no blog, a política do nosso país estava um pouco diferente de hoje em dia.

O fato é que, nos últimos anos, creio, eu venho notando um aumento no desconforto e raiva geral. Não entrarei em tantos detalhes sobre isso a não ser que o próprio texto peça, mas eu venho sentindo um certo aumento de intolerância. Então aconteceu de eu dar de cara com esse maravilhoso vídeo da Lorelay Fox, do canal Para Tudo:


É inegável uma espécie de corrente de ódio se espalhando por aí, muito por culpa de mídias sociais, devido a tooodo um mecanismo e ferramentas típicas desses sites. Falando em resumo, é extremamente fácil algo ficar viral no Facebook. E, também pelo Facebook ser uma ferramenta que, apesar de manter uma relação com o mundo exterior, cria uma bolha em si mesmo e as coisas ficam meio atemporais ali, além de expandidas, acaba sendo bem fácil criar o que apelidei de "turbas virtuais". Eu vi uma turba virtual pela primeira vez naquela comoção das manifestações de 2013, o "não são só 20 centavos",

Essas explicações todas que estou colocando neste post são todas apenas hipóteses minhas, ok? Imaginações, teorias, suposições. Não fiz pesquisa alguma para confirmar essa sensação de maior intolerância, ou de que exista turba virtual, ou que no Facebook tudo fique isolado e atemporal.

Enfim, eu penso nas mídias virtuais - ou melhor, na tecnologia - como uma ferramenta. Como ferramenta, ela expande e maximiza algo que a gente já tem na gente. Ou até nos contagia, por meio dessa maximização.

Tentando ir ao ponto e relacionar de vez com o vídeo da Lorelay, acho que mídias sociais são um baita mecanismo para aumentar ódio e espalhar intolerância. É claro que existem outros aspectos, mas não vai caber falar deles aqui ou o texto não termina nunca.

Não é exatamente novidade pessoas contarem que não entrar em alguma mídia social faz muito mais bem à pessoa do que entrar. Tenho conhecidos que andaram evitando internet (Facebook) em situações X ou Y. Ou pessoas que "higienizam" a própria Timeline, tentando não ler certas coisas que vão mexer com a estabilidade emocional ou psicológica da pessoa. Ou, mesmo que não tenham consequências enormes, que no mínimo tirem da zona de conforto.

Eu vou falar um pouco de forma bem subjetiva sobre tudo o que vem acontecendo: nas últimas semanas antes do meu aniversário, eu andei me sentindo estressada, cansada e mau-humorada. Eu normalmente não sou um exemplo de calma, mas no geral eu costumo não ser muito brigona. Mas no último mês até brigona eu andei me tornando. Comentários que normalmente não me deixariam defensiva deixavam, assuntos que normalmente não me incomodariam incomodaram e, em mais de uma vez, na tentativa de não ir tretar no Facebook com alguém aleatória por razões pouco justificáveis, eu fiquei com a raiva guardada e meio acumulada e acabei descontando em pessoas queridas. Acabei me irritando com pessoas que amo, também porque já estava com esse estresse na cabeça. Ou até porque não sabia canalizar essa energia violenta para algo produtivo.

Isso foi profundamente desorientador para mim, porque eu não gosto de falar coisas chatas ou de magoar pessoas. Mas lá estava eu, querendo me meter em assuntos que nem tinham a ver comigo e querendo ainda discutir com a pessoa.

Pela maior quantidade de brigas que tenho presenciado e ouvido falar, fiquei com a sensação de que essa intolerância está se espalhando de forma meio viral. Pessoalmente eu creio que seja reação ao estresse quanto a tudo que tem acontecido. Um certo extremismo de discursos para todos os lados.

Eu consigo notar certo nível de intolerância crescendo e, como a Lorelay diz, às vezes nem é questão de se colocar contra alguém conservador ou preconceituoso. É, às vezes, também acabar vendo posicionamentos um tanto agressivos de pessoas com quem normalmente você concordaria. Não sei explicar bem, mas uma raiva e uma tensão tem tomado espaço em certos discursos. Que, em outras épocas, já foram mais abertos. Por exemplo, você falou sobre futebol com alguém três anos atrás e foi falar de novo agora e, apesar da pessoa ainda ter o mesmo posicionamento, essa opinião ficou mais extrema.

Enfim, notar tudo isso tem sido bem perturbador para mim. Acho que a coisa mais perturbadora foi notar como a intolerância exterior pode criar uma intolerância e violência interior, em mim mesma. É claro que existem teorias formais sobre isso, até uma literatura e imaginário a respeito (Jogos Mortais, oi), mas sentir isso em si mesmo é uma experiência diferente.

Também veio sendo perturbador notar pessoas queridas manifestando os mesmos sintomas que eu.

É super-natural se revoltar diante de realidades ou afirmações que soem intolerantes ou injustas. E é saudável até tentar lutar contra isso.

Mas eu queria pedir aqui que a gente prestasse atenção e passasse a dar maior importância em se preservar em certas situações. Começar a perceber como a gente, mesmo que sem querer, acaba dando manutenção para certas revoltas. Uma das coisas citadas pela Lorelay e que faz profundo sentido é: para quê compartilhar algo revoltante só para dizer "vejam que absurdo isso!!!"? Existe o lado de desabafar, mas não tem como desabafar sem veicular aquele conteúdo? Eu saí de diveeersos grupos, em especial veganos e feministas, porque o que era para seguir a proposta inicial de debater coisas variadas, acabou virando uma espécie de timeline pessoal de certos membros e um muro das lamentações. Não saíam debates produtivos dali, saíam apenas repetições do exato mesmo pensamento, e manifestações de revolta a algo que realmente enojava.

Queria pedir para que nós tentássemos pensar em formas mais produtivas de usarmos nosso Facebook. Em especial, formas que não disseminem ódio e mal-estar. Até mesmo para divulgar veganismo e o fato de animais morrerem e etc tem como não ser gráfico e não compartilhar vídeos ou fotos explícitas.

Acho que eu tenho muito mais a falar ou pensar sobre isso, mas por enquanto vou ficando por aqui, porque é um assunto muito pesado, muito longo, e tentarei trabalhar mais esse tema por meio de vídeos.

Eu queria ter procurado falar deste tema de forma mais leve e mantendo o bem-estar que o vídeo da Lorelay traz, mas acabou se tornando uma espécie de desabafo com devaneio, em tom mais para melancólico que para positivo, me desculpem... >_<

Então eu vou deixar aqui no final uma imagem motivacional com minha frase favorita do Dumbledore:

"É possível encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias,
se lembrar de acender a luz"

Essa luz todos nós podemos acender, para tentarmos não disseminar o ódio por aí. Eu realmente creio que tem como falar de quase qualquer coisa sem precisar criar ódio e intolerância, apenas cuidando para fazer um discurso positivo ou não-extremado.

Beijos de luz pra todo mundo ☆

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