segunda-feira, 11 de abril de 2016

One Foot In Front of The Other...

Olá, pessoas fofas.

Então, ando tendo a vida bem cheia. Vou tentar falar um pouco dela.

Parece ainda que foi mês passado que fiz minha postagem e janeiro, prometendo mais atualizações. Mas agora, olhando para trás, sinto como se eu estivesse à beira de uma praia, de braços abertos, meio animada esperando vir uma onda. Mas aí o que veio foi um super-mega-ondão enorme do qual não consegui fugir e me levou deixou absolutamente tonta, molhada, fresquinha e engasgando um água salgada.

Neste ano que já está em seu quarto mês de existência, eu viajei para Rio de Janeiro, Paraty, Itaperuna, Florianópolis, me mudei e retornei à faculdade. E ainda nem comecei a dar conta de tudo que tenho efetivamente que fazer no cotidiano: economizar dinheiro, calcular os gastos, cuidar dos meus cães, estudar, cuidar (no geral) da vida acadêmica, cuidar da casa, desembalar minhas coisas. Viver em um ambiente limpo e organizado tem se provado ser uma tarefa árdua para mim, e por outro lado isso tem se tornado de cada vez mais valor para o meu bem-estar.

Acabei notando coisas sobre mim, nestes anos. Uma delas é que um ambiente agradável me deixa mais confortável e satisfeita. Mas quando a tarefa de deixar esse ambiente agradável é minha, e eu tenho limitações de tempo, disposição e dinheiro... Bom...

O resumo é que devo dizer que o cotidiano vem sendo uma bagunça. Uma bagunça que estou tentando organizar mas simplesmente parece que não tenho tempo para tudo. Parte disso é verdade, mas outra parte não é muito: a vida virtual improdutiva (aka Facebook) me consome e distrai muito mais do que deveria. Suspiros.

Quero focar, aqui neste post, no meu cotidiano. Venho tentado organizá-lo, o que não é muito fácil. Ganhei um celular novo (smartphone) do meu pai, portanto estou na possibilidade de usar apps de organização, que têm calhado até bastante.

Quem me conhece do blog talvez saiba menos de mim do que eu espero, quanto a coisas diárias. Por exemplo, eu já comentei da minha depressão e talvez eu tenha lembrado de dizer que minha depressão, adquirida quando eu ainda estava em certo tipo de formação, junto da minha educação, não me tornaram exatamente uma pessoa muito disciplinada. Eu tenho sérias dificuldades com disciplina, hábito e rotina. Existem outras pessoas como eu.

Em resumo, eu tenho uma dificuldade grande em realmente seguir um horário definido para cada coisa todos os dias. Na realidade, tenho dificuldade em cumprir metas básicas, também. Por exemplo: "todos os dias escreverei no meu diário", "todos os dias vou estudar uma hora por dia", ou até "todos os dias irei para a faculdade". Sendo bem sincera, eu tenho dificuldades até mesmo com "tomarei banho todos os dias" e "vou comer sempre que estiver com fome".

A rotina e disciplina se constroem no cotidiano, que é o meu foco da postagem. É por isso o nome escolhido, "One Foot In Front Of the Other", em tradução literal "Um Passo Diante do Outro". É uma referência a uma música da Emilie Autumn que adoro, está abaixo:


Agora eu não faço mais isso, mas até o ano passado, quando eu tinha que fazer algo mecanicamente porque tinha que ser feito e era difícil para mim, eu tentava pensar nisso e cantava o refrão dessa música ao fazer as coisas. Por exemplo, levantar, tomar banho, comer e sair para a faculdade. Eu ficava cantando: "One... Foot... In front of the other foot... In front of the one... Foot..." até terminar o afazer ou até sentir que ficava mais fácil.

Um pé depois do outro.
Um pé depois do outro.
Andando e andando. Avançando, mesmo que devagar, tentando avançar. Cada passo não dói, e cada passo faz aquela montanha que era a obrigação se tornar um monte um pouco menos alto, sabem?

Nem a disciplina e nem a rotina ainda são costumeiras em mim. Eu tenho muita dificuldade em criar uma rotina produtiva, eu diria. Caio facilmente nos velhos hábitos que acabo mantendo sem querer há anos. E é fácil cair neles, muitas vezes basta que eu me distraia.

Por dica dos meus próprios apps de organização, passei a fazer uma lista de afazeres diários. Tem dia em que falha, mas vou fazendo. Coloco nos afazeres quando de água preciso tomar, coloco a hora que preciso acordar, coloco que preciso comer 3 vezes ao dia pelo menos, coloco que preciso ir para a aula. Faço-a inclusive em ordem cronológica e minhas necessidades naturais se mesclam com as obrigações. Há dias que começo mal, tenho que retomar a lista a partir do meio-dia. Há dias em que vou muito bem de manhã e acabo me distraindo. E isso me leva, às vezes, a não terminar os afazeres do dia.

Essa vigia constante, para tentar ser produtiva e não me perder no meio do caminho é necessária. Em nenhuma vez que essa vigia falhou eu pensei "mas nem fez falta". Fez falta, sim. E sei até dizer como a distração acontece. Acontece na perda de controle de quando retomar a lista.

Como falei mais cedo, tem dias em que fui muito bem até, sei lá, 14h. Daí chega essa hora, eu olho minha lista e penso "uaau, fui muito bem, posso relaxar um pouquinho. Vou ficar 20 minutos no Facebook, tenho tempo para isso no meu dia" ou "vou jogar esse joguinho do meu celular, só por 10 minutos". Mas nunca são 20 ou 10 minutos. E mais, eu vou procrastinando e relevando às vezes por horas.

Outra coisa que leva à minha distração é uma espécie de auto-sabotagem baseada em eu me super-estimar. Por exemplo: "ah, eu preciso sair daqui meia hora, mas eu consigo tomar banho e me vestir em 20 minutos", vai para "ah, não vai dar tempo do banho, vou só me trocar e sair correndo e tomo banho quando eu voltar". E ainda assim às vezes chego atrasada em 10, 20 ou 30 minutos no meu destino.

Conforme minha adolescência avançou, foram parando de me cobrar certo tipo de disciplina. E atualmente eu sinto a luta que é todos os dias. Não é natural para mim ter certos hábitos que maior parte das pessoas têm. Eu preciso me forçar a tê-los e estar sempre vigilante. É cansativo, mas eu acho que um dia conseguirei trazer essas coisas como hábitos.

Por alguns anos eu acreditei que minha falta de hábito/disciplina para certas coisas tinha correlação direta com minha depressão. De que, por exemplo, não era natural para mim auto-cuidados porque eu ainda não tinha superado a depressão e ainda ficava me auto-sabotando. Mas atualmente passei a interpretar algumas dessas minhas atitudes como lapso de disciplina e que não necessariamente é sintoma de depressão, em mim.

Houve dias, já, em que estava tudo bem e eu tive rompantes de emoções negativas que mataram quase totalmente minha produtividade. Isso foi semana retrasada. Na semana passada, fiquei meio subitamente doente de forma estranha. Tem horas em que parece que vêm ondas e mais ondas sem muito controle e sem eu entender muito bem de onde. Eu sei que elas vêm de mim, mas não sei bem qual a origem ou função delas. Mas o "um pé em frente ao outro" sempre consegue me acalmar e me fazer imaginar que os obstáculos que preciso superar não são tão insuperáveis assim e que só preciso começar.

Às vezes... Quase sempre... É só começar. Em especial quanto a certos bloqueios: começar é o mais difícil. Muitas vezes fugi de começar coisas. A verdade é que esse texto todo surgiu como uma espécie de vômito porque amanhã tem algo que estou tentando me obrigar a não fugir. Porque se eu fugir ficarei muito chateada comigo e não vai servir de nada. Mas de longe, pensando no que tenho que enfrentar, aquela coisa parece um monstro de 7 cabeças e 3 rabos gigantes e chifres, garras e dentes muito pontudos. Acho que é assim que nossos medos funcionam.

Boa sorte para mim.

PS: outra verdade também é que eu vim adiando escrever aqui, também, por medo. Eu ainda não sei bem como vou trabalhar com este blog. Como vou dar nova vida e nova cor a ele. Estou com medo de que se torne muito confessional e pouco útil. Escrever enquanto as coisas ainda estão frescas tem se provado um tanto difícil ultimamente. E sem vivências frescas, sobram apenas devaneios, teorias, pensamentos, confissões. E não sei se um blog com essa pegada, no meu momento, não pode se tornar melancólico demais.

Me desculpem pela falta de imagens fofas, se eu fosse retocar demais este texto ele acabaria não saindo ^^"

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