domingo, 5 de julho de 2015

Sobre ter depressão

Olá, lolis.

Este post acho que, provavelmente, é o mais difícil que fiz até hoje. Mas a importância dele é proporcional à dificuldade, e peço paciência a quem se aventurar a ler isso ><" Tentei pensar em formas de escrever e imagens para colocar que deixassem isso um pouco menos pesado, mas não encontrei. Terá de ser desta forma, sinto muito.

Aconteceu que algumas coisas mudaram, e muito, não só durante essa época um tanto longa que passei sem postar muito, mas também minha cabeça mudou bastante em relação a como eu era ou estava assim que criei este blog. E na época eu não queria muito falar do meu lado mais triste, eu queria justamente fugir dele.

Cliquem para visualizarem o texto
(está em inglês >_>)

Eu criei este blog em um momento de muita fragilidade e tristeza. Minha mãe tinha acabado de falecer. Este espaço, bem como um tumblr que já abandonei e um blog de textos que agora está em formatação privada, foram essenciais para que eu começasse a voltar a ter contato com alguma poesia na vida. Eu estava, realmente e muito muito, precisando voltar a ver o lado bom da vida, o lado mais lúdico, o lado mais superficial até, e em especial, eu estava precisando resgatar em mim a felicidade e a doçura. O blog foi essencial para que eu enfrentasse minha depressão, estado mental que na verdade meio que me acompanha desde os meus 15 anos. Vale dizer que tenho 22 agora.

A moda lolita e as pessoas que conheci por meio dela foram, também, extremamente importantes para que eu voltasse a sonhar e ser mais positiva. Em especial as pessoas que se encontram nos posts de amizade, me ajudaram muito, embora talvez até hoje não seja todas que saibam do estado mental no qual eu me encontrava.

Eu sentia ao vivo a reação das pessoas ao saberem que eu, aos 16 ou 17 anos, "não tinha mais mãe" e, como eu queria criar um espaço de maior alegria possível na internet, tive muita dificuldade de começar a compartilhar minha realidade com as pessoas que conheci, por mais que me afeiçoasse. Eu tinha medo delas começarem a me olhar de forma diferente, ou de eu me mostrar triste demais e estragar a magia que estava começando a resgatar e que ainda me parecia tão frágil.

Desde o comecinho de 2011 e o fim de 2012 eu fiz terapia três vezes por semana, e acho que por um ano tomei antidepressivos, com acompanhamento psiquiátrico uma vez por mês. Eu reprovei duas vezes no ensino médio por falta (fiz três vezes o terceiro ano). Atualmente estou há dois anos e meio morando longe do meu pai e estou no meio da Graduação em Letras Português, na UFSC.

Começar a morar sozinha foi um passo muito importante para eu voltar a acreditar em mim mesma, mas mudou minha vida de uma forma muito louca e uma das principais consequências foi o aumento da distância entre eu e meu blog. Eu também, por conta própria, parei de tomar meus antidepressivos (não me arrependo, porque nem tinha como eu manter o acompanhamento necessário para continuar tomando-os) e larguei a terapia. Acho que devido à grande quantidade de novidades e desafios, apesar de ainda enfrentar alguns problemas pessoais, minha mente ficou bem melhor.

Mas lá pelo meio do ano passado tive uma recaída bem grande e, na verdade, apenas neste ano fui começar a entender melhor a razão. Só começar, ainda não sei exatamente a razão, e acho que não tenha uma única razão específica para isso.

Já faz alguns meses que eu penso em retomar o blog, e até tento, mas simplesmente sentia que eu já tinha mudado tanto. Muitas mudanças me levaram a quase não cozinhar mais em casa, também não tinha mais dinheiro ou roupa para lolita, e também não tinha internet em casa (por um ano e meio vivi sem internet em casa). Essas coisas atrapalharam muitíssimo.

Nos últimos meses passei a sentir muita vontade, ou até necessidade, de reviver este espaço. Mas eu não sabia como.

Ao contrário de quando criei este blog, em 2011, eu não estou mais investindo em lolita, ou vendo muito da moda, minha alimentação também andou meio mal-formulada e só agora comecei a reverter melhor isso; e também não estou mais exatamente com energia, ou ânimo, ou, em suma, com muita vontade de tentar "produzir" felicidade. quando fui doce e escrevi disso, foi sincero e correspondia a uma necessidade minha. Mas agora justamente sinto que preciso expor um lado de ficou tão guardado da internet.

Eu tinha medo de expor algumas coisas minhas on-line, incluindo aqui fotos do meu rosto e meu nome verdadeiro que - tadam - não é Alice, sinto muito! Em outro momento talvez eu explique porque escolhi Alice, como nickname, o resumo foi apenas que eu quis fazer algo temático do que mais me pareceu atraente no meio lolita: outfits temáticos de Alice. O nome do meu blog também remete a isso.

Eu revi e atualizei o layout, o meu perfil, a minha foto, os marcadores do blog, as páginas extras... Só não consegui realmente sumir com todas as minhas auto-menções como Alice. Acho que apagar isso 100% também é um desrespeito ao que busquei em outra época.

Realmente não consegui passar tudo-tudo que gostaria neste post, mas ele veio de coração. Uma amiga minha me disse que poderia ser terapêutico para mim ser sincera e colocar aqui realmente o que está passando pela minha cabeça, tentando não me esforçar em corresponder à imagem que acabei criando até hoje.

Escrevendo este post, por mais que eu saiba que tenho apenas 22 anos e que na verdade ainda não vi muito da vida ou do mundo externo, admito que me senti meio "velha", por na realidade já estar há uns 7 anos lidando com a tal da "depressão". Vi muito de mim mesma, e nem sempre aquilo foi agradável, embora sempre tenha sido um aprendizado. Aprendi a reconhecer limites em mim que desejo, de todo o coração, que ninguém precisasse aprender a reconhecer, porque ninguém deveria passar por essas situações.

Sei perfeitamente que muita gente, muita muita mesmo, passou por traumas e enfrenta uma vida que nem consigo imaginar, com situações mais dolorosas do que as que eu vivi. Também sei que aos 22 anos muita gente já passou por muitas tristezas e muitas dores.

Um blog que me inspirou muito a começar a falar sobre isso aqui foi o da Mariana Santarem, especialmente este post (o "Carta do Mês: Enxergando seus Monstros" - coloquei o "meu monstro" neste post). Ele também me iluminou para o fato de que, apesar de ter tido um contato até excessivo com meu monstrinho por no mínimo 2 anos (2011 e 2012), chegou um momento em que eu falei "chega de sofrer" e procurei soterrá-lo de alguma forma. Aliás, ela fala muito disso: do medo de reconhecer a doença que é/era parte dela fazer com que a vissem apenas como a doença.

Foi muito difícil para mim voltar a observar que, apesar de fazer já quase 5 anos que minha mãe morreu, eu ainda não aceitei ou processei isso. Além do fato da morte dela em si, também houveram problemas anteriores ao evento em si, situações ruins variadas que também me marcaram muito. É difícil ainda aceitar que essas coisas estiveram me rondando e guiando muito da minha forma de agir. Por quase um ano me recusei a voltar a enxergar esses fantasmas, porque para mim era até uma questão de orgulho que eu já os tivesse superado. "Mas já faz tanto tempo", eu pensava e repeti várias vezes nestes meses, indignada.



Por mais que não seja exatamente um "olá" a este monstrinho ou grande cão preto (como dona de uma fofura de cãzinha preta, não gosto tanto da imagem do cão preto simbolizando a depressão, mas o vídeo e a metáfora não deixam de ser tocantes e verdadeiros no conceito principal), e mais um "bem vindo de volta", acho que isso não torna exatamente mais fácil.

É estranho que passei estes anos vivendo de um jeito muito paradoxal. Ao mesmo tempo que eu acabei mergulhando em mim mesma e abraçando este monstrinho e, de certa forma, me deixando controlar por ele, um pouco lado meu acreditava que justamente vivê-lo era a forma de conseguir neutralizá-lo. Como se fosse um ser possível de ser acalmado.

Quando eu fui diagnosticada com essa palavra tão temida, eu lembrei do quanto eu já tinha aquilo consumir alguém que eu amava incondicionalmente. Já li uma quantidade relativamente grande de definições do que é depressão. As que me pareceram mais reais e acuradas são as que a definem como "um câncer na alma" e "ter todos os fios emocionais desencapados".

É muito difícil ouvir que você tem uma doença cuja qual você já viu os piores efeitos em alguém. Eu tinha prometido a mim mesma que eu nunca, jamais esqueceria que não sou um diagnóstico e que tenho lados que escapam à depressão. Mas uma coisa triste e estranha que me aconteceu foi que, a longo prazo, eu comecei a ser consumida. Às vezes acho que sei reconhecer os momentos em que dei espaço, mas em outros vejo quando, mesmo eu me esforçando, aquilo ia comendo pelas beiradas.

Apesar da minha promessa, de que eu jamais esqueceria que ter depressão é apenas um estado, que não é tudo de mim, e que não é meu estado natural, e que é reversível, no início deste ano notei que eu já vinha esquecendo. Não do conceito, eu sempre tive claro na minha cabeça que não fui sempre mais pessimista e frágil ao "lado mais vazio" do copo; mas eu notei que fazia alguns meses, pelo menos, que eu não via realmente as coisas pelo lado mais cheio do copo. Apesar de, conceitualmente, tentar não esquecer um certo lado meu, eu já tinha esquecido quase completamente como era viver com aquele lado mais aflorado. Também foi muito intenso para mim perceber que, apesar de ter tentado desviar, aquilo veio, lentamente, dominando.

Eu não sei o quanto escreverei a respeito aqui, acho que haverá mais posts no futuro. Mas por enquanto eu só precisava expor este lado para sentir, novamente, que estou retomando este blog sendo sincera na minha escrita, nas minhas colocações pessoais, e, especialmente, comigo mesma.

Muitos e muitos abraços de flores brilhantes.

2 comentários:

  1. Achei o texto muito bonito e sincero. Estou orgulhosa de você por estar se esforçando tanto e feliz por ver que meus conselhos te ajudaram. Espero que isso te ajude a começar uma nova fase boa <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada, Tiemi-chan! É muito valioso para mim ver receptividade em especial neste post, então fico bem feliz que você tenha vindo comentar ^^

      Muito obrigada! ♥ Assim espero :3

      Excluir